Saturday, January 20, 2007
Arte do canto na terra de Graciliano Ramos
Graciliano Ramos e José Ricardo Sobrinho eram amigos. O maestro José Ricardo Sobrinho fundou o primeiro orfeão municipal em Palmeira dos Índios, terra de Graciliano Ramos.
Os componentes do orfeão além de se aprimorarem na arte do canto, aprendiam a tocar instrumentos - piano, violino, violão etc. Participavam 150 alunos.
O orfeão apresentava-se nas festividades educacionais. Dentro das mais rígidas etiquetas da época e sob os cerimoniais religiosos da região. No Natal e na Quaresma, os músicos entoavam cantos gregorianos.
Os componentes do orfeão além de se aprimorarem na arte do canto, aprendiam a tocar instrumentos - piano, violino, violão etc. Participavam 150 alunos.
O orfeão apresentava-se nas festividades educacionais. Dentro das mais rígidas etiquetas da época e sob os cerimoniais religiosos da região. No Natal e na Quaresma, os músicos entoavam cantos gregorianos.
Friday, January 19, 2007
O teatro não-profissional de minha cidade
Como teve início à organização do teatro de minha cidade, principalmente na igreja matriz, com a participação da juventude, liderada por o Grupo Teatral Shalom, de Santana do Ipanema? O número de atores chegara a 50 integrantes. Coisa rara até mesmo aos grupos profissionais. O Grupo Teatral Shalom, ou GT Shalom, com todas as suas peças teatrais de autoria própria, quando muito jovem, descobrira o talento de como melhor difundir o teatro. Iniciara sua trajetória com a peça O PÃO, no Teatro Sagrada Família. O Secretário Estadual de Cultura, Noaldo Dantas, tinha muito admiração pelo trabalho do GT Shalom e resolvera investir na capacidade do grupo, encaminhando-o à realização de cursos na capital e também em vários outros Estados. Um dos cursos acontecera nos casarios coloniais da capital da Parayba, João Pessoa.
Final de ano, 31 de dezembro, missa de Ano Novo, GT Shalom não participara das festas de virada de ano. Dormira cedo para não perder o ônibus do dia seguinte. Iria passar um mês em João Pessoa para participar de mais um curso de teatro; desta vez, com os professores de São Paulo, Fauzi Arap e José Eduardo Vendraminni e, do Rio de Janeiro, João das Neves. De manhã, quase na hora do ônibus partir, GT Shalom continuava dormindo. Só acordou-se porque, em sonho, ouvira bater à porta e falar: O destino está lhe chamando. Com estas palavras ditas, misteriosamente, acordou-se; vendo-se atrasado saiu às pressas. Aquele ano de mil novecentos e... começava bom de lavoura.
Final de ano, 31 de dezembro, missa de Ano Novo, GT Shalom não participara das festas de virada de ano. Dormira cedo para não perder o ônibus do dia seguinte. Iria passar um mês em João Pessoa para participar de mais um curso de teatro; desta vez, com os professores de São Paulo, Fauzi Arap e José Eduardo Vendraminni e, do Rio de Janeiro, João das Neves. De manhã, quase na hora do ônibus partir, GT Shalom continuava dormindo. Só acordou-se porque, em sonho, ouvira bater à porta e falar: O destino está lhe chamando. Com estas palavras ditas, misteriosamente, acordou-se; vendo-se atrasado saiu às pressas. Aquele ano de mil novecentos e... começava bom de lavoura.
AS JANELAS DA CIDADE
Morar no paraíso
Morar no paraíso
É ser feliz
Quem me acordam
Todas as manhãs
São os pássaros
Da janela avisto
Árvores de longos braços
Que se agitam e me dão frutos
É ser feliz
Meus olhos penetram à mata
Morar no paraíso
É ser feliz
Quem me acordam
Todas as manhãs
São os pássaros
Da janela avisto
Árvores de longos braços
Que se agitam e me dão frutos
Thursday, January 18, 2007
RENDEIRAS COM SEUS BILROS
As lagoas, os bairros cheios de ônibus espaciais
que viajam entre as estrelas, as galáxias;
meu Maceió tem um bairro cheio de sacis musicais,
outro cheio de sereis e centauros marcianos;
nas lagoas moram mães-dágua rendeiras com seus bilros
que não deixam faltar roupas pros povos alagoanos;
não há cemitérios, porque aqui ninguém morre. Fica encantado.
que viajam entre as estrelas, as galáxias;
meu Maceió tem um bairro cheio de sacis musicais,
outro cheio de sereis e centauros marcianos;
nas lagoas moram mães-dágua rendeiras com seus bilros
que não deixam faltar roupas pros povos alagoanos;
não há cemitérios, porque aqui ninguém morre. Fica encantado.
Wednesday, January 17, 2007
Um artista não morre enquanto sua arte permanece
O maestro José Ricardo Sobrinho teve uma formação erudita. Sua capacidade criativa era absolutamente original. Passava qual um furacão por cima das limitações. Ao falecer o músico José Ricardo Sobrinho morreu um pouco da cultura, um pouco da história. Com apenas 28 anos de vida, escreveu uma página importante na história de sua terra natal. Maria do Socorro Ricardo, filha do maestro, agradecera homenagens ao seu pai, José Ricardo Sobrinho, prestadas pelo então prefeito de Santana do Ipanema, Genival Wanderley Tenório, que dera o nome do maestro a uma rua da cidade de Santana. Igualmente a outro prefeito, Dr. Marcos Davi dos Santos, que reconheceu o valor do maestro José Ricardo Sobrinho, ao criar a Filarmônica com nome do maestro, sob a regência do saudoso Paulo Aguiar. A Banda Filarmônica Maestro José Ricardo Sobrinho é, atualmente, destaque em todas os eventos comemorativos da cidade.
Tuesday, January 16, 2007
A música
José Ricardo Sobrinho foi um artista inspirado por Deus, que transformou o ribombar dos canhões da Grande Guerra em canções misteriosas. Enquanto aguardava sua convocação. Quando já se encontrava alistado para a Grande Guerra onde defenderia o Brasil.
A música é um ato de amor, ela é espiritual, misteriosa e mágica. A música engloba multidões em um só espírito. A música, segundo minha opinião, é a palavra de Deus em sinfonia. O músico é um instrumento usado por Deus para transmitir o seu recado.
A música é um ato de amor, ela é espiritual, misteriosa e mágica. A música engloba multidões em um só espírito. A música, segundo minha opinião, é a palavra de Deus em sinfonia. O músico é um instrumento usado por Deus para transmitir o seu recado.
Funcionários da Fundação Cultural de Blumenau, SC, organizam os livros da escritora Maria do Socorro Ricardo para noite de autógrafos
Monday, January 15, 2007
Um Velório Anunciado
da escritora Maria do Socorro Ricardo (mariasricardo@gmail.com)
A professora Leocádia e sua mãe Desdêmona, às pressas, sem perceberem o anormal. De longe, avistaram Eurípedes na calçada. O morto estava conversando com os vizinhos, como sempre fazia. Tranqüilo. Traquino. Mulher e filha aproximaram-se sem entender. O pai lhes respondeu que a única maneira de matar a saudade era com a notícia de sua morte. Não agüentava mais tanta distância. Certamente, a filha já tinha matado a vontade de ser professora; agora, voltasse para casa e matasse a saudade do pai. Aqueles meses sozinho foi um inferno em sua vida. Nunca mais ficaria só, nem se fosse um pedido do Presidente da República que dirá do governador.
Leocádia tinha que se contentar.
Seu sonho, Leocádia, no Sertão, ou onde quer que fosse, não podia matar seu pai de saudade. E apenas com um telegrama com aqueles dizeres poderia trazê-las de volta. A educação dos sertanejos poderia ser feita por outras centenas de professoras nomeadas por o governador: professora Leopoldina, diretora Maria José Moritiba, professoras Iracema, Iluminata, Helena, Durvalina. Queria mais? Dona Marina, Ilda. Se eu for falar o nome de todas, eu não mato a minha saudade.
A professora Leocádia e sua mãe Desdêmona, às pressas, sem perceberem o anormal. De longe, avistaram Eurípedes na calçada. O morto estava conversando com os vizinhos, como sempre fazia. Tranqüilo. Traquino. Mulher e filha aproximaram-se sem entender. O pai lhes respondeu que a única maneira de matar a saudade era com a notícia de sua morte. Não agüentava mais tanta distância. Certamente, a filha já tinha matado a vontade de ser professora; agora, voltasse para casa e matasse a saudade do pai. Aqueles meses sozinho foi um inferno em sua vida. Nunca mais ficaria só, nem se fosse um pedido do Presidente da República que dirá do governador.
Leocádia tinha que se contentar.
Seu sonho, Leocádia, no Sertão, ou onde quer que fosse, não podia matar seu pai de saudade. E apenas com um telegrama com aqueles dizeres poderia trazê-las de volta. A educação dos sertanejos poderia ser feita por outras centenas de professoras nomeadas por o governador: professora Leopoldina, diretora Maria José Moritiba, professoras Iracema, Iluminata, Helena, Durvalina. Queria mais? Dona Marina, Ilda. Se eu for falar o nome de todas, eu não mato a minha saudade.
Friday, January 12, 2007
Os Caseiros Pedomutuca e Domaria
da escritora Maria do Socorro Ricardo (mariasricardo@bol.com)
Dias seguidos. Noites. Poeira. Tapiocas. Água benta. Águas barrentas, salobras. Caatinga. Bode assado, uma delícia. Até a cidade de Juazeiro para visitar o túmulo do Pe. Cícero, no Dia de Finados.
Em uma dessas viagens, Domaria, mulher em avançada idade, de vários filhos, netos e bisnetos - porém, lucidez invejável -, fora surpreendida pelas brincadeiras do destino. Era uma baixinha, magra, cheia de energia, um rosto marroquino riscado de vincas. Rumou ao Juazeiro no lotação pau-de-arara. Repleto de moças, rapazes, velhos, crianças. Muita música das vozes no pau-de-arara. O caminhão em uma velocidade que sumia encoberto em nuvens de poeira.
Não foi muito longe o carro dos romeiros. Estradas mal conservadas interrompiam a viagem com buracos; o caminhão saía de um buraco, tinham outros lhe esperando. Crianças na rodagem pediam esmolas com pás e enxadas, repunham barro nos buracos; atrás, outras crianças cavavam: era o ganha-pão daquelas famílias à margem, que se alimentavam de moedas. Um motorista jogava, outro não. Com um choque em uma das crateras, tok-tou-truk-trupizupi, quebrou o diferencial, parando o caminhão, definitivamente, na estrada. A noite vinha se aproximando com suas cores. Todos desceram. Impacientes. O motorista praguejava. Um mosquito que falava embaixo de um chapéu de couro. Como pernoitar em um lugar daqueles? O Mosquito avisou: Não sei quanto tempo permaneceremos, aqui, até que conserte meu caminhão.
Cada um dos romeiros procurou abrigo ao seu modo.
Domaria, cansada, tonta no meio da tulha. Aquele solavanco da viagem - tok-tou-truk-trupizupi tok-tou-truk-trupizupi tok-tou-truk-trupizupi - quase a derrubou. Desceu bamba. Sem saber onde estava. Tok-tou-truk-trupizupi. Perdeu a dentadura de um tanjo. O lenço colorido na cabeça o vento lhe roubou. Depenada. Domaria desistiu de perseguir o lenço que o vento levava: O meu padrinho me dá outro! Gritou no meio da poeira. Sentou a mão na cara para matar um mosquito. Abancou-se em uma pedra quente. Levantara-se de um pulo. Olhou o mato. Lavou a cara com as mãos; queria afugentar um pouco o cansaço. Tok-tou-truk-trupizupi: não deixava sua cabeça de avó e de bisavó aquele barulho do caminhão que ficou no buraco. Domaria, mulher de Pedomutuca, desgarrou-se dos companheiros de viagem e se foi em buscar de abrigo onde pernoitar. De um triz, tudo ficou breu.
Dias seguidos. Noites. Poeira. Tapiocas. Água benta. Águas barrentas, salobras. Caatinga. Bode assado, uma delícia. Até a cidade de Juazeiro para visitar o túmulo do Pe. Cícero, no Dia de Finados.
Em uma dessas viagens, Domaria, mulher em avançada idade, de vários filhos, netos e bisnetos - porém, lucidez invejável -, fora surpreendida pelas brincadeiras do destino. Era uma baixinha, magra, cheia de energia, um rosto marroquino riscado de vincas. Rumou ao Juazeiro no lotação pau-de-arara. Repleto de moças, rapazes, velhos, crianças. Muita música das vozes no pau-de-arara. O caminhão em uma velocidade que sumia encoberto em nuvens de poeira.
Não foi muito longe o carro dos romeiros. Estradas mal conservadas interrompiam a viagem com buracos; o caminhão saía de um buraco, tinham outros lhe esperando. Crianças na rodagem pediam esmolas com pás e enxadas, repunham barro nos buracos; atrás, outras crianças cavavam: era o ganha-pão daquelas famílias à margem, que se alimentavam de moedas. Um motorista jogava, outro não. Com um choque em uma das crateras, tok-tou-truk-trupizupi, quebrou o diferencial, parando o caminhão, definitivamente, na estrada. A noite vinha se aproximando com suas cores. Todos desceram. Impacientes. O motorista praguejava. Um mosquito que falava embaixo de um chapéu de couro. Como pernoitar em um lugar daqueles? O Mosquito avisou: Não sei quanto tempo permaneceremos, aqui, até que conserte meu caminhão.
Cada um dos romeiros procurou abrigo ao seu modo.
Domaria, cansada, tonta no meio da tulha. Aquele solavanco da viagem - tok-tou-truk-trupizupi tok-tou-truk-trupizupi tok-tou-truk-trupizupi - quase a derrubou. Desceu bamba. Sem saber onde estava. Tok-tou-truk-trupizupi. Perdeu a dentadura de um tanjo. O lenço colorido na cabeça o vento lhe roubou. Depenada. Domaria desistiu de perseguir o lenço que o vento levava: O meu padrinho me dá outro! Gritou no meio da poeira. Sentou a mão na cara para matar um mosquito. Abancou-se em uma pedra quente. Levantara-se de um pulo. Olhou o mato. Lavou a cara com as mãos; queria afugentar um pouco o cansaço. Tok-tou-truk-trupizupi: não deixava sua cabeça de avó e de bisavó aquele barulho do caminhão que ficou no buraco. Domaria, mulher de Pedomutuca, desgarrou-se dos companheiros de viagem e se foi em buscar de abrigo onde pernoitar. De um triz, tudo ficou breu.
O CAMINHAR DO POETA
Eu tenho andado
Nas ruas
Com o silêncio
De minhas palavras.
Tenho sentido
A essência original
Nas conversas dos jardins.
Ouço o cantar comum
Dos papas-capins.
Nas ruas
Com o silêncio
De minhas palavras.
Tenho sentido
A essência original
Nas conversas dos jardins.
Ouço o cantar comum
Dos papas-capins.
FOLCLORE POÉTICO
Meu Maceió despossui favelas, casas feias.
Ele possui sonhos ecológicos, casas mágicas;
meu Maceió não existem analfabetos
nas ruas de Jorge de Lima, de Jorge Cooper;
meu Maceió vende no supermercado
bumbas-meu-boi, reisados e pastoris encantados.
Não há injustiça nem violência em meu Maceió:
Pontes de Miranda não deixa, não permite rixa,
não deixam as palavras do velho Aurélio Buarque.
Ele possui sonhos ecológicos, casas mágicas;
meu Maceió não existem analfabetos
nas ruas de Jorge de Lima, de Jorge Cooper;
meu Maceió vende no supermercado
bumbas-meu-boi, reisados e pastoris encantados.
Não há injustiça nem violência em meu Maceió:
Pontes de Miranda não deixa, não permite rixa,
não deixam as palavras do velho Aurélio Buarque.















